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15/10/2010
13h43 | esportes - Vendido
Enfim, vendido: após travar batalhas judiciais, Liverpool tem novo dono
Consórcio americano New England Sports Ventures compra o clube por

Era fim da manhã da última quarta-feira quando meia dúzia de torcedores cantava a plenos pulmões "You'll Never Walk Alone", música tema do Liverpool há décadas. Na porta do tribunal, todos festejavam a decisão da Alta Corte, que deu razão ao Royal Bank of Scotland (RBS), logo o maior credor, em continuar o processo de venda do clube, afastando os antigos donos de cena, os americanos Tom Hicks e George Gillett. Mas a festa só ficou completa nesta sexta: por 300 milhões de libras (R$ 794 milhões), os Reds agora pertencem ao New England Sports Ventures (NESV), presidido por John W. Henry, também proprietário do time de beisebol Boston Red Sox.

Antes odiados por boa parte da torcida por causa da má fase em campo, Hicks e Gillett também viraram vilões  ao tentarem impedir e atrasarem todo o procedimento com uma liminar concedida em Dallas, nos Estados Unidos, quando o anúncio oficial era aguardado. Na quinta, no entanto, nova vitória na justiça inglesa soou como irreversível dessa vez. E, após desgastante novela, o martelo foi oficialmente batido na tarde desta sexta.

- Estamos aqui para vencer. Estou feliz e orgulhoso - disse Henry.

Gerente do Liverpoool FC , Christian Purslow e o presidente Martin BroughtonO chefe-executivo Christian Purslow e o presidente Martin Broughton deixam o tribunal na última quarta-feira: êxtase pela vitória durou até o fim do dia. Novela sobre a venda do Liverpool se arrastou até esta sexta (EFE)

A mudança surge como um sinal de nova era para os Reds. É justamente o verbo renovar que enche uma das torcidas mais fanáticas da Inglaterra de esperança. Não à toa o 15 de outubro de 2010 já é chamado por eles de "Dia da Independência".

- Eu sei o quão frustrados estão os torcedores com o que tem acontecido e posso entender seus sentimentos. Mas todos nós temos sofrido com isso, especialmente a torcida, e agora é a hora de nós nos juntarmos e ajudarmos o clube a sair dessa situação - disse o capitão, porta-voz e "dono" do time, Steven Gerrard, após o anúncio da primeira decisão favorável no tribunal durante a semana.

Nesta sexta, véspera do clássico com o Everton pelo Campeonato Inglês, o técnico Roy Hodgson afirmou que a conclusão do negócio "tirou uma nuvem de cima do clube" e dará tranquilidade aos jogadores. Em um comunicado oficial no site dos Reds, o NESV revelou que também pagou boa parte da dívida do Liverpool, reduzindo-a de um valor entre 25 e 30 milhões de libras (R$ 66 a 80 milhões) para outro entre 2 e 3 milhões de libras (R$ 5 a 8 milhões).

A novela

Os conflitos internos, que marcaram um dos períodos mais conturbados da história do Liverpool, começaram quando Hicks e Gillett quebraram o acordo com o banco escocês na última renegociação da dívida (cerca de R$ 633 milhões) e afastaram o diretor comercial Ian Ayre e o chefe-executivo Christian Purslow. Além de desmentir publicamente o presidente Martin Broughton, que havia anunciado a venda para o NESV.

Como o prazo estipulado para o pagamento de boa parte do débito (R$ 528 milhões) vencia na sexta-feira, o descumprimento do trato com o RBS acarretaria em um pedido de concordata e a perda de nove pontos no Campeonato Inglês, que jogaria os Reds para a lanterna, com menos três pontos.

A vitória, então, trouxe os dirigentes de volta ao comando e o anúncio da venda passou a ser questão de horas, já que o responsável pelo negócio e à época provável futuro dono, John W. Henry, chegou à Terra dos Beatles na noite de quarta. Mas outra ação na justiça, dessa vez em Dallas, nos Estados Unidos, impediu a oficialização do negócio. Na quinta, outro triunfo do RBS na justiça inglesa anulou o pedido de Hicks e Gillett, alegando que "o caso nada tinha a ver com o Texas". Torcedores novamente foram às ruas comemorar mais um capítulo vencido.

protesto venda liverpoolTorcedores mostram insatisfação com gestão dos americanos: cerca de R$ 628 milhões em dívidas (AP)

O fim da novela estava próximo. Embora outros dois compradores tenham mostrado interesse, sendo um empresário de Cingapura, que ofereceu R$ 950 milhões, e um fundo americano (Mill Financial), ambos desistiram depois de o clube praticamente desprezar as propostas. Com o caminho livre para o NESV, faltava apenas o sim da justiça. E ele veio nesta sexta-feira, logo após Hicks e Gillet retirarem a ação em Dallas (com a promessa de processar o clube e seus dirigentes em R$ 4,2 bilhões de indenização pela "trapaça"). Uma vitória com gol nos acréscimos do segundo tempo que deixará as preocupações de lado por tempo ainda indeterminado.

- Se o torcedor vir que o time dele está forte não vai se importar muito de onde está vindo o dinheiro. Lembro de quando a MSI comprou o Tevez, fui assistir ao primeiro jogo do argentino, conversei com torcedores e só via felicidade. Levantei a questão sobre indícios de lavagem de dinheiro, mas ninguém estava ligando. A mentalidade do torcedor inglês tem sido a mesma. O Chelsea e os times de Manchester não me deixem mentir - afirmou Tim Vickery, correspondente da BBC na América do Sul.

Tom Hicks e George Gillett, donos do liverpoolTom Hicks e George Gillett fizeram praticamente de
tudo para impedir a venda do Liverpool (Foto: Getty)

- O objetivo para eles não é lucrar, e sim ganhar o campeonato. Mas os donos querem dinheiro, aumentam os preços dos ingressos. Todos eles compram o clube com dinheiro emprestado. Isso quer dizer que obviamente tem um custo, e os juros cabem ao clube pagar. Um time sem dívidas passa a ter de se virar e o bolo vai crescendo. A crise de gerenciamento de futebol inglês não é fato novo. Isso é uma discussão polêmica na Inglaterra - prosseguiu Vickery.

Especializado em futebol internacional, o jornalista Décio Lopes também vê problemas na gestão inglesa.

- Acho que há uns cinco anos todos acharam que o futebol era grande negócio, principalmente a Premier League. Li uma reportagem que apontava lucros tão grandes quanto os esportes americanos, e isso atraiu muita gente. A lei também facilita, e aí aparece um monte de lavador de dinheiro. É lucrativo para o jogador, para o agente, para o patrocinador, mas para o clube não. Eles (Hicks e Gillett) quebraram a cara mesmo - disse.

Os muitos problemas

Uma das soluções para a crise é, de imediato, abrir o cofre. Com seis pontos, o Liverpool amarga a 18ª colocação após sete rodadas de Premier League, competição que não conquistou uma vez sequer em 18 edições. O Manchester United, um dos maiores rivais, no entanto, aproveitou o período de "hibernação" dos Reds e levou o caneco em 11 oportunidades, igualando-se em 18 títulos no total. No próximo domingo, o clássico contra o Everton, no Goodison Park, pode definir qual será o rumo da crise nas semanas seguintes.

Entrada estádio Anfield LiverpoolEntrada de Anfield: com capacidade para 45 mil torcedores, estádio já é visto como antigo e carece de reforma. Prioridade, no entanto, é manter as estrelas Torres e Gerrard a cada janela de transferências (AFP)

- Foi há pouco tempo, dois anos, que o Liverpool massacrou o Real Madrid em Anfield e agora vive essa crise. Acho que de uma certa maneira o Rafa Benítez (antigo técnico) tem parte da culpa, pois contratou muito e mal. O elenco tinha quase 60 jogadores, muita gente de qualidade duvidosa, e tudo cai nas costas do Gerrard e do Torres. Ele saiu e não deixou um bom legado, mesmo com o título da Champions League - disse Tim Vickery.

A conquista na temporada 2004/2005, em reação épica sobre o Milan, foi a última renomada do clube, que não levou um título sequer na gestão de Tom Hicks e George Gillett (2007-2010). A chegada do NESV é uma promessa de luz no fim do túnel para o projeto da nova arena. Dificuldades financeiras tinham arquivado a renovação e ampliação do Anfield, com capacidade atual para 45 mil lugares.

O Gerrard, mesmo com a identificação que tem, deve estar louco para ir embora. O Torres nem se fala" Décio Lopes

Dentro de campo, porém, é onde reside outro grande problema. O inglês Steven Gerrard e o espanhol Fernando Torres são os únicos craques incontestáveis do time e, devido à longa crise, mantê-los a cada janela de transferências é um esforço cada vez maior para o Liverpool.

- O Gerrard, mesmo com a identificação que tem, um jogador com a cara do clube, deve estar louco para ir embora. O Torres nem se fala. Ninguém vai querer ficar em um time que só perde, só dá problema... Não há muita perspectiva em um futuro próximo. É um poço sem fundo - analisou Décio Lopes.

Atento ao perigo da zona de rebaixamento, os Reds já propõem investir cerca de € 40 milhões (R$ 92 milhões) no mercado de inverno europeu, em janeiro. Pressão não vai faltar.


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