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18/10/2016
11h43 | esportes - CENTRAL
Série B sem fim: 30 anos depois, três clubes (Central, Treze e Inter de Limeira) ainda buscam o título de 1986

MATÉRIA DO GLOBOESPORTE.COM 

Um torcedor passa pelo portão de acesso, sobe alguns degraus e se vê na arquibancada do Estádio Presidente Vargas, em Campina Grande, a casa do Treze. À sua frente, ele pode ler os seguintes dizeres: "Campeão Brasileiro de 1986 da Série B". Não muito longe dali, mais precisamente a 143 km ao sul, ele pode ler frase parecida no Estádio Lacerdão, em Caruaru, a casa do Central: "Campeão Brasileiro Série B - 1986". É o mesmo campeonato, no mesmo ano. Pleiteado por dois clubes de dois estados diferentes. E é porque poderiam ser quatro, se Internacional de Limeira e Criciúma também requeressem a “honraria”.

Estádio Presidente Vargas, Treze (Foto: Silas Batista / GloboEsporte.com)
Parede interna do Presidente Vargas, estádio do Treze, apresenta o Galo como campeão da Série B de 1986
(Foto: Silas Batista / GloboEsporte.com)

A grande questão é que, mesmo com tanta polêmica, a CBF não reconhece nenhum deles e simplesmente não existe um campeão brasileiro da Série B daquele ano. Contar essa história, contudo, não é tão simples. Precisamos voltar 30 anos no tempo, direto para o chamado Torneio Paralelo da CBF, que substituiu a então Taça de Prata e que tinha um formato para lá de controverso.

A competição era dividida em quatro chaves com nove equipes cada, e os vencedores de cada grupo subiriam para a Série A: no caso, Treze, Central de Caruaru, Inter de Limeira e Criciúma. Nunca houve uma fase final entre estes quatro, e por isto a CBF não considera nenhum dos quatro como campeão. A primeira divisão com a participação dos quatro, inclusive, foi realizada naquele mesmo ano, mas só terminou em março de 1987 com o título do São Paulo.

Estádio Luiz Lacerda Lacerdão (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)
Estádio Lacerdão, em Caruaru, também traz na marquise a referência ao título de 1986 do Central
(Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)

Mesmo assim, o Galo da Borborema e a Patativa pintaram o título nos seus muros e brigam pelo reconhecimento, mesmo que não seja exclusivo. Paralelo a isto, à distância, a Inter de Limeira apenas observa. E sua diretoria ressalta que apesar de não se considerar campeão, estará pronto para pleiteá-lo também caso os outros consigam o reconhecimento. De todos, só o Criciúma, que já conta com um título de Série B em 2002, nega qualquer interesse no suposto título.

Em nota oficial, CBF explica que "os quatro clubes mencionados não são considerados campeões da Série B de 1986 porque a fórmula adotada naquele ano não previa a definição de um ou mais campeões" 

Em nota, a CBF afirmou que “os quatro clubes mencionados não são considerados campeões da Série B de 1986: 

"A fórmula adotada naquele ano não previa a definição de um ou mais campeões no ápice da competição. Em 1986, os times em questão terminaram a Série B do Campeonato Brasileiro como líderes de seus respectivos grupos e conseguiram a classificação para a 2ª fase da Série A do mesmo ano. O correto seria mencionar o mérito de 1986 como 'Classificação à Série A'”, explica.

Classificação esta muito comemorada na época pelo então lateral-direito do Treze e atual auxiliar técnico do Náutico, Levi Gomes. Hoje com 55 anos, o ex-jogador admite que não existia título em disputa naquele ano: 

Levi Gomes Náutico (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)
Depois da campanha de 1986, Levi Gomes foi para o Náutico, onde permanece até hoje
(Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)

- Eu me lembro de poucas coisas daquele ano. Já faz muito tempo. Mas lembro que a gente não comemorou nenhum título. Não era isso que valia e sim o acesso. E isso a gente comemorou muito. Foi uma alegria total, porque tinha um time da Paraíba e outro de Pernambuco. O acesso nós comemoramos, mas o que marcou muito foi que quebramos a invencibilidade do São Paulo. 

Ainda assim, Levi diz que gostaria de receber o reconhecimento por uma Série B: 

- Eu acredito que seria muito bom reconhecer o título daquele ano. Isso é importante para o currículo de qualquer atleta - ressaltou.

Com o fim da participação do Treze na Série A de 1986, que só viria a terminar no ano seguinte, Levi se transferiu para o Náutico, onde permanece até hoje.

Uma luta... três alvinegros

Mas, mesmo sem o reconhecimento, Treze ou Central não vão apagar os dizeres de seus estádios. Muito pelo contrário. As diretorias dos dois clubes pretendem lutar nos tribunais para conseguir essa estrela na camisa. Para o presidente do Treze, Petrônio Gadelha, é, inclusive, uma questão de honra.

Petrônio Gadelha, presidente do Treze  (Foto: Larissa Keren / GloboEsporte.com)
Petrônio Gadelha quer este título para o Treze
(Foto: Larissa Keren / GloboEsporte.com)

- Tem no Museu do Futebol os campeões daquele ano. É uma questão pessoal também para esta diretoria ter isso oficializado. Nós vamos continuar defendendo nossos interesses até o Treze ser reconhecido, até porque isso altera o ranking nacional. Não sentimos as provocações de Botafogo e Campinense (rivais estaduais do Galo). É um direito deles de falarem o que quiserem. Também não acho que ter tantos times com o mesmo título, que é esse de 1986, diminua o valor dele - comentou Petrônio.

Assim como o presidente do Treze, o gerente de futebol do Central, Adrinaldo Barbosa, reivindica a oficialização do campeonato. O dirigente chegou a lembrar que no aniversário da Patativa, em 15 de junho deste ano, a CBF parabenizou o clube pelos 97 anos de história e chegou a citar que o Alvinegro tinha “no seu currículo um Campeonato Brasileiro da Série B”.

Poucas horas depois, a entidade nacional corrigiu o equívoco e retirou a frase da matéria sobre o aniversário do time pernambucano.

- Já faz tempo que estamos reivindicando o título, tanto que no aniversário do clube, em 15 de junho, a CBF colocou no site que a gente era campeão da Série B de 1986. Mas depois retirou. Como isso aconteceu e também não recebemos nada oficialmente, vamos tomar um posicionamento. Acreditamos que, assim como times que reivindicaram títulos anteriores, como o caso do Palmeiras e Sport, e conseguiram, nós também vamos conseguir. O torcedor do Central cobra a todas as diretorias e nós nos importamos com este título, queremos muito o reconhecimento - ressaltou.

Central, 1986, Série B, CBF (Foto: Montagem / GloboEsporte.com/pb)O print foi feito pelo blog de Cássio Zirpoli, do Diário de Pernambuco (Reprodução / CBF)

O terceiro interessado nesta história é a Inter de Limeira. O presidente do clube, Paulo Toledo, contou que o clube tem interesse no reconhecimento, mas que a cobrança de sua torcida não é tanta porque 1986 foi o ano da conquista do Campeonato Paulista. Uma competição histórica para o clube, já que o Alvinegro se tornou o primeiro time interiorano a se sagrar campeão em São Paulo. 

Para a gente, este é mais um título simbólico do que um título de fato, mesmo assim é uma conquista importante
Paulo Toledo, presidente da Inter de Limeira

- Para a gente, este é mais um título simbólico do que um título de fato. Mesmo assim, é uma conquista importante. Mas como esse acesso aconteceu no mesmo ano que a conquista do Paulista, então, para o torcedor, o estadual vale mais do que esta Série B, porque a CBF não reconhece nenhum campeão. A gente tem interesse de chancelar, mas acredito que vai ser como o título do Sport de 1987: vai ser um eterno questionamento. Mas nós vamos pleitear - reforçou.

Ao contrário dos outros três, o Criciúma não pretende pleitear este título. O Tigre é um dos quatro times que conseguiram o acesso naquele ano, mas não fala em títulos. Aliás, títulos mesmo para o Tricolor são a Copa do Brasil de 1991, a Série C de 2006, a Série B de 2002. O clube ainda informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o "Criciúma não computa este título, que ele não conta como conquista".

Outros acessos no mesmo ano valeram títulos

CBF já conta com presença de jornalistas (Foto: Vicente Seda)A CBF adota critérios diferentes para declarar times campeões da Série B (Foto: Vicente Seda)

A maior argumentação da CBF para não oficializar as conquistas de Treze, Central, Inter de Limeira e Criciúma, é que o Torneio Paralelo fazia parte da primeira divisão do Brasileiro de 1986. Mas, dando uma rápida olhada na história, outros clubes têm status de campeão nacional da Série B em competições em que conseguiram o acesso no mesmo ano - ou seja, também fazia parte da Série A, se fosse considerado o mesmo critério.

Em em 1984, o Uberlândia foi campeão da Taça de Prata (a Série B da época) e garantiu vaga na Taça de Ouro do mesmo ano, entrando direto na terceira fase.

Na polêmica de 1987, Sport e Guarani dividiram o título do Módulo Amarelo da Copa União e, para a CBF, decidiriam o título do Brasileirão contra Flamengo e Inter, os vencedores do Módulo Verde. 

Finalmente, em outro caso de acesso no mesmo ano aconteceu em 2000, quando foi disputada a Copa João Havelange. Naquele ano, o Campeonato Brasileiro também foi dividido em módulos, o que na prática eram divisões (da primeira a terceira). O Paraná venceu o Módulo Amarelo e se classificou diretamente para as oitavas de final da Copa JH, ao lado de São Caetano (vice do Módulo Amarelo), Remo (3º colocado do Módulo Amarelo) e Malutrom (campeão do Módulo Branco, uma espécie de terceira divisão do Brasileirão).O Paraná é considerado campeão da Série B de 2000, e o Malutrom, campeão da Série C



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